
Lá se vai mais uma semana e é o tempo que me espanta nessa noite. Lidar com a efemeridade não é para muitos e desconfio que eu seja um desses inaptos . Tenho medo da finitude, do estar envelhecendo, do vazio da morte e da desintegração de meu ser. Não que isso me leve a apaixonar-me por especulações religiosas e metafísicas acerca de nosso paradeiro final ou sobre nossas origens, mas pensar nunca foi demais ao ser-humano. O tempo é um desses mistérios dos mais intrigantes sobre os quais nossa mente repousa calorosas reflexões.
Nada tão intangível quanto o passado, nada tão metafísico quanto o futuro, nada mais mágico que o presente.

A morte é um caminho para o nada, e é isso. Tudo o que os filósofos especularam e as religiões fantasiaram são apenas pó diante do peso da eternidade sem existir. (Interessante sobre isso é o argumento de Schopenhauer que questiona: por quê tanto perturba e faz gelar a muitos espíritos o destino após a morte se é um mistério análogo nosso paradeiro antes de nascermos?) Não somos capazes de aceitar nossa insignificância diante da causalidade, diante do caos. Olhar para o futuro e perceber que há um fim é atordoante para muitas pessoas que preferem ver a luz do que a verdade, falo também de mim.
Que passe o tempo então, que as horas corram de forma histérica, num incessante movimento que não dá sinais de parar. Devemos viver e é só. O presente é uma dádiva, muitas vezes sublimado pelo peso do que passou e pela angústia do que está por vir. A vida se resume ao hoje e toda metafísica, todos os mistérios, todas as especulações são dispensáveis diante do presente. Todo o tempo é o agora, o resto é morto. Nossas lembranças são cadáveres e nossas expectativas nascituros com consideráveis chances de aborto. Por que então a angústia, por que o desespero, o arrependimento? Se tudo é fugaz para quê esse apego desesperado à vida, aos desejos, às lembranças? O homem sábio sabe dosar e aproveitar o momento, o tolo chora seus erros passados e deslumbra-se em espenranças.

São essas minhas palavras pra uma semana que passou.
