sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ah! a linda fugacidade das coisas....

0Alvorada, lá no morro que beleza. Ninguém chora não há tristezas, ninguém sente dissabor...



Lá se vai mais uma semana e é o tempo que me espanta nessa noite. Lidar com a efemeridade não é para muitos e desconfio que eu seja um desses inaptos . Tenho medo da finitude, do estar envelhecendo, do vazio da morte e da desintegração de meu ser. Não que isso me leve a apaixonar-me por especulações religiosas e metafísicas acerca de nosso paradeiro final ou sobre nossas origens, mas pensar nunca foi demais ao ser-humano. O tempo é um desses mistérios dos mais intrigantes sobre os quais nossa mente repousa calorosas reflexões.

Nada tão intangível quanto o passado, nada tão metafísico quanto o futuro, nada mais mágico que o presente.

A morte é um caminho para o nada, e é isso. Tudo o que os filósofos especularam e as religiões fantasiaram são apenas pó diante do peso da eternidade sem existir. (Interessante sobre isso é o argumento de Schopenhauer que questiona: por quê tanto perturba e faz gelar a muitos espíritos o destino após a morte se é um mistério análogo nosso paradeiro antes de nascermos?) Não somos capazes de aceitar nossa insignificância diante da causalidade, diante do caos. Olhar para o futuro e perceber que há um fim é atordoante para muitas pessoas que preferem ver a luz do que a verdade, falo também de mim.

Que passe o tempo então, que as horas corram de forma histérica, num incessante movimento que não dá sinais de parar. Devemos viver e é só. O presente é uma dádiva, muitas vezes sublimado pelo peso do que passou e pela angústia do que está por vir. A vida se resume ao hoje e toda metafísica, todos os mistérios, todas as especulações são dispensáveis diante do presente. Todo o tempo é o agora, o resto é morto. Nossas lembranças são cadáveres e nossas expectativas nascituros com consideráveis chances de aborto. Por que então a angústia, por que o desespero, o arrependimento? Se tudo é fugaz para quê esse apego desesperado à vida, aos desejos, às lembranças? O homem sábio sabe dosar e aproveitar o momento, o tolo chora seus erros passados e deslumbra-se em espenranças.



São essas minhas palavras pra uma semana que passou.

5 comentários:

João Silva disse...

Perguntas desse tipo também fazem parte do meu cotidiano. Durante muito tempo atravancaram a minha vida. Especular sobre a vida e a morte, procurar respostas impossíveis não é uma escolha, como pensam aqueles que debocham dos filosófos, mas uma condição do próprio existir, do próprio viver quando se sai da menoridade (vide Kant, fazendo referência a religião).

Mas antes de tudo viver! Não negar os sofrimentos, as frustrações, os prazeres, a angústia das perguntas sem resposta, mas senti-las profundamente. Por mais que a razão seja essencial na compreensão do mundo, aprendemos muito com os sentidos (e sentimentos) também.

Gostei do seu blog, talvez me torne um frequentador assíduo.

Tenho dois, caso queira visitar. Não tenho uma facilidade em pensar e escrever como você, mas tento.

www.aarteeoreal.blogspot.com
www.documentosdeumavidaimperfeita.com

Abraços

João Silva disse...

A propósito, meu nome é Marcelo.

Poquiviqui disse...

Eu ia comentar sobre o texto. Mas preciso comentar sobre a FORMA do texto. Cara, sinceramente, ja vou por no meu favoritos. Vc tem uma forma peculiar de escrever, que se assemelha ao que faco, (ou tento).

Vc sabe utilizar bem as palavras. E olha que isso nao eh facil, porque quase todo mundo confunde saber usar bem as palavras com rebuscar o texto. E da-lhe palavras dificeis mal encaixadas dentro do contexto, onde uma outra caberia bem melhor.

Vc soube fugir disso. Parabens! Voltarei mais vezes com certeza!
Abracos

Fran* disse...

Esse tempo que todos corremos,ou perseguimos..ou que nos persegue!
Descreveu lindamente..e com uma simplicidade deliciosa..Gostei muito!
;*

Talita do Vale disse...

Gostei do seu jeito de escrever...

"O homem sábio sabe dosar e aproveitar o momento, o tolo chora seus erros passados e deslumbra-se em esperanças".

Acredito que é bom pensar no futuro pra viver o presente...